sábado, 17 de agosto de 2013

Sitio Santa Terezinha - Ibiúna - SP

Sítio Santa Terezinha, localizado em Ibiúna SP.

Sempre que vou visitar meu filho nesta cidade, gosto de entrar em contato com as pessoas da redondeza, conhecer sua cultura, como vivem e a mata nativa. Em Ibiúna há resquícios da Mata Atlântica, sempre tive  curiosidade de conhecer as árvores nativas desse bioma. Dona Santina me convidou para conhecer um sítio ali perto, "com muitas árvores diferentes, vindas de várias partes do mundo". Fiquei encantada em poder conhecer as árvores exóticas do sítio Santa Terezinha e aceitei logo o convite!


Dona Santina contou que os avós maternos de seu genro vieram da antiga Iugoslávia, da Servia e da Bósnia, que a mãe de Yuri, nascida no  Brasil, casou com um descendente de italiano. Ao comprar esse sítio, seu avô trouxe mudas de vários lugares do mundo: da Oceania, Europa e América Central.  O sítio Santa Terezinha tem muita história para contar. 
O sítio está nas mãos de seu genro Yuri, casado com sua filha Jaqueline. Yuri tem grande consciência ecológica, conhecedor da mata,  muito solícito nos guiou falando de cada árvore do sítio.
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Seguimos até lá a pé, atravessamos a estrada principal, sem acostamento, cuidando com os carros que passavam de vez em quando. Os ibiunenses reclamam que a estrada principal é muito esburacada, porém pela lei estadual o município recebe mais verbas por ser considerada uma estância turística! (http://viagensexpedicoes.blogspot.com.br/2012/07/ibiuna.html)

Paineira

Chegando lá Yuri apresentou o sítio.Cada árvore tinha uma característica e uma história especial. Enormes paineiras soltando sementes e paina pelo chão marcavam a entrada da propriedade.  

Com a máquina fotográfica em mãos captei o Guapuruvu, árvore nativa, decídua,  de crescimento rápido, seu tronco reto  cinzento pode atingir até 30 metros de altura. Sua madeira é leve e pouco resistente, suas sementes são usadas no artesanato para fazer colares.  
Guapuruvu

Depois vimos a exótica araucária bidwillii, originária da Austrália, da família das araucariaceae. Também produz o pinhão, menor mas que pode ser consumido natural, sem cozinhar ou assar. Após o sexto ano já dá os frutos. 

A exótica araucária bidwillii - pinheiro Bunia 


O pau-jacaré, espécie nativa da Mata Atlântica. Uma característica marcante é o seu tronco parecido com a pele do jacaré. Sua flor é hermafrodita. Árvore de crescimento rápido por isso é uma das mais usadas para repovoar áreas desmatadas.
 Pau Jacaré
Pau Jacaré - detalhe do tronco


A nativa pixirica, da família das  Melastomatacias tem folhas grandes. Espécie diferente das pixiricas do sul.
 Pixirica



Uma  das árvores exóticas mais interessantes é a melaleuca, árvore própria do brejo, com várias camadas de casca, tornando-a muito fofa,  Yuri contou que seu tio artista montava quadros com recortes das cascas.

Inscrição: 1ª Árvore plantada pela família Stape na Chácara da vovó. Melaleuca Leucadendron 09-09-1984



Essa árvore é originária da Austrália. Ela produz um óleo antibacteriano e antifúngico.

Detalhe do tronco da melaleuca: várias camadas envolvendo o tronco, que é muito macio. Também chamada de Sete Capotes.

Meninos convidados a dar soco na árvore para sentir sua maciez.


Depois vimos a oriental ginkgo biloba, a nogueira do Japão, árvore caduca (perde as folhas no inverno), tão importante na medicina, como o combate ao câncer. Tem as folhas parecidas com trevo em formato de leque. Descobri que  foi a primeira planta que brotou em Hiroshima após a  bomba atômica de 1945, por isso é símbolo de paz e longevidade. Ela diminui as alterações no DNA provocada por radiações.(não achei a foto)

A árvore nativa farinha seca, também chamada de frango assado,  solta uma farinha ao  pressionarmos seu caule. 

Farinha Seca


Essa árvore tem crescimento rápido, sua madeira é leve, usada para repovoar áreas degradadas.


Café, rico em cafeína

 Cafeeiro. O café veio da África, da Etiópia.  Yuri contou a lenda de um pastor que observou que suas ovelhas ficavam com mais energia ao comer os frutinhos vermelhos dessa planta, e foi ai que começaram a utilizar a infusão dos frutos como estimulante. Para nós do sul um pé de café não é comum.   Provamos os frutos vermelhos, a semente é de fácil reprodução, é só plantar que nasce. 

Yuri nos mostrou uma araucariácea, mas não araucária, a árvore de natal americana, aquela que é usada na decoração natalina, com as bolinhas vermelhas.


Explicou que existem 41 espécies da Família Araucariaceas, distribuídas em três gêneros. O gênero Araucaria é subdividido em 19 espécies encontradas no hemisfério sul. Somente duas espécies são nativas da América do Sul : a Araucária-do-Chile e o Pinheiro Brasileiro, angustifolia.

Pau-ferro, outra nativa com tronco claro malhado, árvore de grande porte, usada em praças e parques, é muito conhecido na medicina popular para diabetes e anemia.

Pau-ferro 

  Mata-olho, árvore nativa, decídua, com folhas longas e espinhentas, seu látex pode produzir borracha, mas por irritar os olhos é assim chamada.
Mata-olho

Folhas com espinho da mata-olho


Araribá é outra nativa. Yuri contou que seus frutos quando caem parecem pequenas hélices girando no ar, alegria das brincadeiras das crianças.


Araribá
Sua madeira é pesada, de qualidade,  usada por marceneiros, ideal para o fabrico de canoas. Há várias espécies de Araribá. É de rápido crescimento, por isso também é indicada para repovoar áreas desmatadas.


O pau-rei é uma  nativa de grande porte, por isso seu nome. Possui folhas largas, com tronco liso e claro e de crescimento rápido, também usada em paisagismo urbano.



Pau-rei


O pau d’alho tem suas folhas cheirando a alho. Essa árvore possui glândulas produtoras de  aroma semelhante ao do alho. Árvore robusta, gosta de terra boa.


Pau-d'alho, ou pau-de-mau-cheiro

A próxima árvore  que chamou a atenção foi a escova de garrafa, nome oriundo da sua semelhança com esse objeto,  exótica, da Austrália. Usada como árvore ornamental de grande beleza.
Escova de garrafa

 Da Costa Rica veio a árvore  goiaba cás da Costa Rica, da familia das mirtáceas,  ela produz um fruto  de coloração verde claro, semelhante ao nosso araçá. 



Exótica da Costa Rica



 Jequitiba, árvore nativa da região sudeste do Brasil. Em tupi significa gigante da floresta,  por ser muito alta. Essa deve ter uns 25 anos, considerada uma das árvores mais altas do Brasil. Folhas em tons avermelhados. Já foram encontrados jequitibá com 60 metros de altura.
Jequitibá

Detalhe do tronco do Jequitibá
outro jequitibá


Pau-brasil - árvore que deu origem ao nome do nosso país. Quando o Brasil foi descoberto essa árvore foi muito explorada pelos portugueses para extração do corante vermelho, além de fabricação de móveis. Essa exploração predatória diminuiu drasticamente essas espécies.
 pau-brasil


É crime o corte do pau-brasil. Essa árvore tem até dia festivo, é o dia 03 de maio,.dia Nacional do Pau-brasil.

Vimos um carvalho da Iugoslávia. Seu avó trouxe as sementes de lá. Há muitas espécies de carvalho, tanto de folhas perenes como caducas, sua origem é da América do Norte. O carvalho é milenar, cultuado pelos celtas, é simbolo de resistência, pois que se fortalece a cada intempérie, a cada dificuldade oferecida pela natureza ele se fortalece seu tronco e raízes  Estas  crescem buscando mais apoio no solo, tornando impossível sua destruição numa tempestade. A madeira dessa árvore foi muito usada na construção naval e na tanoaria, principalmente por melhorar o aroma e a cor do vinho.

Cambuci, nativa, da família  das mirtáceas, ameaçada de extinção. É popular por ser aromatizante da cachaça, rica em vitamina C. Alimento para fauna, principalmente aves como tucanos. Seu fruto é usado para fazer sucos e doces. Considerada árvore símbolo da cidade de São Paulo, tem um bairro com seu nome. Em São Paulo há festas gastronômicas da fruta do cambuci, está havendo uma tentativa de resgatar essa árvore. Árvore de clima sub-tropical, aguenta o frio.
Yuri contou que sua florescência é em formato de disco voador, divertindo as crianças.

não sei se a foto está certa


A vedete da chácara é uma palmeira imperial, neta da palmeira imperial do Jardim Botânico. 
palmeira imperial


Essa palmeira é originária das Antilhas. A Roystonea oleracea foi plantada no Jardim Botânico do RJ por Dom João VI em 1809, quando da vinda da família real para o Brasil, a partir dai foi chamada palmeira-imperial.  





São chamadas de palmeira-imperial todas as que descendem daquela de 1809, que foi  destruída por um raio em 1972. 

Sapucaia, nativa em extinção, tem pequena produção de sementes, suas castanhas são muito apreciadas pelos macacos. As árvores adultas embelezam na primavera, com suas copas enfeitadas de flor lilás. Perde as folhas no inverno, por isso é considerada caduca, decídua. É mais comum no nordeste.

 sapucaia

Cambucá- Ameaçada de extinção. Crescimento lento, tronco curto.  É uma mirtácea que produz um frutinho redondo e amarelo  comestível,  considerado um dos mais saborosos do Brasil, lembrando a jabuticaba. 
É uma árvore  considerada de pequeno porte, nativa, . É parente da jabuticaba, e como ela tem crescimento lento, por isso não é muito conhecida.
Cambucá

O carvalho canadense, originário da América do Norte é uma árvore muito adaptável, de crescimento rápido e de madeira de boa qualidade.
carvalho canadense


A chichá é uma das maiores árvores da mata atlântica, também chamada de amendoim de macaco, é uma árvore nativa, de crescimento rápido, por isso o caule é pouco resistente, suas sementes são alimentos para a fauna. Tem madeira leve e mole. Seus frutos secos ficam vermelhos  com sementes negras no interior, as cápsulas vermelhas são usados na confecção de utensílios domésticos.
Chichá



Umbuzeiro  
Árvore nativa de pequeno porte, originária do Nordeste, devido a sua copa larga oferece sombra, seu nome tem origem no tupi guarani, “árvore que dá de beber”. Sua raiz conserva água e produz uma batata comestível. O umbuzeiro vive muito tempo, em torno de 100 anos, por isso é considerado um símbolo de resistência.

Pilão esculpido pelo Seu Bento, de uma árvore de copaíba  caída numa mata próxima

Outras árvores indicadas por Yuri:
 Pau-formiga uma árvore majestosa quando floresce, que abriga formigas no seu tronco oco, evitando outros pedradores.
Pau-cigarra, árvore muito usada nas ruas devido a sua floração amarela.
Ipê-tabaco, uma espécie de ipê amarelo. etc... 

Yuri,  mostrou-se um entusiasta da preservação da flora. Produz muitas mudas, principalmente de frutíferas. Mostrou muitas araucárias reflorestadas por ele.
  Sua estufa produz mudas que depois são plantadas na própria propriedade. 

mudas de café com palmeira real


Mostrou-nos várias araucárias repovoadas em diversos locais do sítio. Nessa região pode dar geada também, por ser uma região de serra e as araucárias se dão bem com o clima. 

Yuri planta palmeira real  junto com mudas de café. 
 Contou-nos que a mata atlântica está muito descaracterizada nessa região, há poucas árvores, o que se vê é uma mata secundária mista com árvores exóticas como o pinus ilhote e o eucalipto, de valor comercial, mas não nativas.
Essa região devastou suas matas nativas. A mata atlântica possui uma variedade enorme de espécies, essa riqueza toda foi devastada antes de ser estudada.

Contou que sua ligação sentimental com a propriedade é grande pois cresceu por entre essas árvores. Diz que hoje está tudo no abandono, tudo por fazer, mas as árvores estão ali, crescendo, crescendo. Seu sonho é produzir comercialmente frutas nativas, sonho que vai se realizar a longo prazo, aí  o sítio Santa Terezinha vai se chamar Sítio Vida Verde!
Muito obrigada a Dona Santina e ao Yuri que proporcionaram todas essas descobertas!

Obs: Completei muitas informações nos sites da Wikipédia

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Moinho da Cascata


Moinho da Cascata - Caxias do Sul - RS

Seguindo a Rua Luiz Covolan, no bairro Santa Catarina, nos deparamos com um prédio histórico, O Moinho da Cascata, prédio construído em 1905 por Aristides Germani, imigrante italiano.

Durante muito tempo ali funcionou um moinho de trigo, fábrica de massas e usina hidro-elétrica para geração de energia, com turbina, o gerador de energia, a as tubulação de entrada da água e saída do ar.



Aristides Germani chegou em 1885 da Itália, onde já era moageiro. Em 1891 comprou a área para instalar um moinho a cilindro, o “Moinho Ítalo-Brasileiro”.




Homem de visão, Germani adquiriu uma turbina hidrelétrica com força motriz própria, capaz de fornecer energia elétrica para outras empresas da cidade.








 O Moinho da Cascata, em estilo neoclássico constitui-se de três andares, construídos com tijolo a vista, sendo o porão em pedra, tradição na região.

O que encanta é a natureza ao redor, mata nativa e a cascata com 36 metros de queda do Arroio Tega.

 No passado o rio Marques do Herval, estava despoluído e era um local de lazer e banhos, popularmente chamado de Arroio Tega.


 O moinho funcionou ali até 1928, pois Germani construiu outro junto à estação férrea no bairro São Pelegrino, hoje Moinho da Estação, também tombado como patrimônio público.

O Moinho da Cascata pertence ao grupo Tondo desde 1997.

Site do moinho:

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Igreja São Cristóvão

Igreja São Cristóvão - Ana Rech - Caxias do Sul - RS



 Ousadia da arquitetura lembrando um caminhão
Pórtico da entrada de Ana Rech

Por volta de 1950 foi construído um oratório na Encruzilhada de Ana Rech com a imagem de São Cristóvão. Foi escolhido um  ponto estratégico, na BR 116 e entrada de Ana Rech.   Dois anos após foi realizada a primeira festa dos motoristas. A nova capela foi iniciada em 1985, com o projeto de um caminhão. Em 1999 o templo em forma de caminhão  estava pronto, foi abençoada pelo Bispo Dom Paulo Moretto. As comunidades do entorno são Marianinha, Loteamento São Cristóvão e Jardim do Lago.
A Festa dos Motoristas acontece em julho.

Parte frontal da igreja

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Imersão no Museu

Museu Municipal de Caxias do Sul - RS
Passeio com alunos



Museu Municipal de Caxias do Sul
Rua Visconde de Pelotas, 586
Bairro Centro Fone 3221 2423 – Caxias do Sul - RS

A edificação é do final do século XIX, desde 1975 foi transformada em museu. Abriga um acervo em torno de 10 mil peças obtidas por meio de doações. São 6 salas de exposição que nos remetem ao desenvolvimento de nossa região a partir da imigração italiana, baseada na pequena propriedade rural e na diversidade de ofícios.

Começamos o passeio dividindo a turma em duas. Monitoras Deise e Greice.
Seguimos com a monitora Greice. Subimos uma escadaria que nos levou ao andar de cima. Em expositores de vidro visualizamos resquícios de índios dessa região. 
Tradição Umbu, de até 12.000 anos atrás, vimos restos de sambaquis. Na tradição Taquara, até 2.000 anos atrás vimos mãos de pilão. Na tradição Tupiguarani vimos restos de cerâmica, possíveis urnas funerárias.
 

Passamos por imagens grandes de imigrantes e seus baús, nos reportando ao porto de Gênova, na Italia. É o começo da história da imigração italiana na nossa região. Vimos o famoso quadro-propaganda, “Cocagna”, usada pelo governo para atrair imigrantes ao Brasil. Cocagna, terra da fartura, de onde jorram vinho dos “rios, salames dão nas árvores, frangos assados caem do céu. É a terra da fartura. 
Os imigrantes chegavam de navio, após 30 a 40 dias de viagem. Chegavam no Rio de Janeiro, onde ficavam 40 dias, a quarentena para evitar a transmissão de doenças. 1875 é o ano da primeira leva de imigrantes italianos. A figura do agrimensor grande com o teodolito na mão é destaque, pois ele media as terras que seriam divididas entre os colonos no sul do Brasil.
No corredor ao fundo um grande quadro de 1955, de Jorge Leitão. A terra da Cocagna precisava ser trabalhada. Era só mato e dificuldades. A floresta densa precisava ser desmatada para construir as moradias e os povoados. A tela mostra no primeiro plano à esquerda, homens cortando pinheiros para fazer a madeira das casas. uma serraria à esquerda ao fundo, imprescindível no meio da floresta. À direita uma moradia dividida em duas, cozinha separada do resto da casa, pois não tinham fogão e o fogo no chão podia incendiar tudo. Um rio atravessa o centro da tela, floresta de pinheiros ao fundo. Carro de bois puxando toras, mulher lavando roupas no rio, forno de barro ao lado da casa.

 
 Ao pé do quadro uma bancada com ferramentas alusivas à pintura, serrotes, machados, armadilhas para caça. Os imigrantes recebiam as ferramentas do governo, junto com a terra, para poder dar inicio ao cultivo e construção de moradia.
Ao lado armas, sciopa, também conhecida por “Espera um Pouco”, pois era carregada pelo cano. Tacho de cobre, arado, balancim (pescoço dos bois), slita um tipo de reboco para carregar puxado por bois ou mula, moedor. No centro outros maquinários, Debulhador de milho, furmificador, fole para matar formigas, manguá, instrumento composto de dois paus para bater o feijão.
Máquina vinda da Alemanha para cortar pasto, com a réplica de madeira feita pelos imigrantes.
Esventolon, para limpar feijão, milho e arroz.
Moinho para fazer farinha de milho.
Moinho de pedra tocado com água.
Centrífuga de mel.

Geladeira de 1910, o gelo vinha de S. Leopoldo de trem, durava 1 dia.


Alambique para fazer a graspa, estampa dos barris
Maquina de sulfatar para passar nos parreirais protegendo-os dos fungos.
Batedeira de manteiga
Torrador de grãos
Moedor de canela e pimenta
Moedor de carne e moedor de tomates

Entramos no corredor das profissões. 

O marceneiro trabalha com madeira, suas ferramentas estavam expostas :
Rebolo, torno tocado com o pé,
Lambrequins eram muito usados nos telhados, fazendo o papel da calha, pois ajudavam no escoamento da água. Nas varandas usavam balaustrada.

Num outro nicho encontramos maquinaria para fazer as vassouras de palha.

Alfaiate – profissão relativa aos homens, vimos manequim de madeira.

Sapateiro: Vimos máquinas de costurar couro, sapatos, celas canastra.
Ferreiro: profissão do que transforma o ferro.

                               
Estavam expostas a bigorna e elementos de uso do tropeiro, fechaduras, relhos, cincerros, guampa, cantil, celim. O celim era usado pelas mulheres que, de vestido, sentavam de lado no cavalo. Canastra de tropeiro, baús para carregar mercadorias e bruacas. O tropeiro era muito importante nesse período, pois através dele faziam-se as trocas, ou compra e venda de artigos de um lugar para outro.

O armazém era o secos e molhados, a bodega, ali se encontrava de tudo, na tulha, enorme caixa de madeira com repartições estocavam farinhas e grãos a granel.

A direita enormes estantes escuras com portas envidraçadas nos remetem às boticas da época. Móveis e artigos da extinta Farmácia D’Arrigo, a botica da época, os materiais do boticário não eram descartáveis, as seringas eram de vidro, vimos bisturis, vidros de remédio e perfumarias como pó de arroz. O farmacêutico mexia com químicas, misturava e pesava fazendo os remédios.
No centro uma mesa dobrável num dos cantos, ninguém soube que era uma mesa de parto.
A barbearia Mantovani está representada pela placa da barbearia, cadeira, espelho e navalhas. À esquerda um armário de ferro envidraçado mostrando artigos de dentista, um vidro grande com tampa cheio de dentes significava prestígio para os dentistas da época, pois o principal papel deles era arrancar os dentes substituindo-os por dentaduras de porcelana, muito caras na época.

Descemos um degrau e entramos numa sala representando a Metalurgica Eberle.

 Uma enorme tela mostra homens trabalhando na primitiva metalúrgica. A guia nos contou que por volta de 1896 a Eberle era uma funilaria. Mostrou-nos a calhandra que arredonda metais.
                                 
Réplica da Metalúrgica Eberle

 Em 1903 chegou a eletricidade e a Eberle trouxe o primeiro motor elétrico, exposto no museu. Eles fabricavam artigos domésticos, utensílios para montaria, artigos sacros, facas para exército. No chão estavam expostos baús onde os viajantes carregavam as mercadorias para vendê-las em outras localidades. Vimos uma grande piteira no formato de um nó, que virou símbolo da metalúrgica. 



O busto de Abramo Eberle em frente ao quadro parecia contemplar sua obra, em 1945 ele morreu passando a metalúrgica para seus filhos. A empresa foi a falência e atualmente está nas mãos da Mundial S|A.
Entramos num espaço sacro.



 Um quadro esculpido em madeira, obra de Tarquini Zambelli, realizada em 10 anos, de 1890 a 1900. Foi premiada num concurso em Porto Alegre na época. Paramos para analisar a obra: A deusa da fartura estende a mão para o imigrante, representado por uma criança. Ela segura a bandeira do Brasil, ao lado avistamos o deus Mercúrio jogando moedas. O sol ao fundo representa a fartura vinda com os imigrantes, no primeiro plano elementos que nos remetem a colônia italiana, uva parreirais, casa de madeira, produção etc...



Santos cobriam as duas paredes laterais e uma linha central, junto com capelas. Abrindo a fila central uma imagem muito rústica da Pietá, restaurada, encontrada em um galinheiro. 


Uma capela antiga, datada de 1400, é o artigo mais antigo do museu. 
 

Ao lado uma cruz de procissão com vários objetos representando os elementos da crucificação de Jesus. No fundo um capitel de madeira, os capitéis eram construídos em estradas, feitos de pedra, local onde se podia rezar. Do outro lado muitos moldes de gesso de santos, um grande quadro da pintura de São Marcos e o leão, depois uma cadeira personalizada, usada nas igrejas e ao fundo uma imagem grande de Santa Terezinha das Rosas. Vimos também uma grande matraca, usada para chamar os fiéis para eventos sacros.

A visita foi interrompida. Passamos para uma sala de vídeo. Assistimos ao filme “Campo dos Bugres”.
Esse vídeo relata a entrada de Antonio Machado de Souza pelo campo dos bugres chegando à campanha. Na época em que os alemães já tinham chegado ao Brasil, por volta de 1824. Havia 4 localidades importantes no sul do Brasil na época: Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antonio da Patrulha. A região do planalto era inexplorada, mata fechada, falavam em índios, rios cristalinos e pedras preciosas. Antonio Machado pretendia abrir uma trilha para alcançar a região serrana por esse atalho, por essa época chegava-se a região serrana pelo litoral. Ele saiu em março de 1864, iniciando a travessia, chegou ao Arroio dos Franceses, os dois irmãos encomendaram um queijo serrano, prova da vitória da proeza. A caravana entrou em trilhas de porco do mato, taiasuape. Encontraram resquícios de índios, marco da presença dos bugres. Exploraram a enconsta, depois de dias de viagem se depararam com vestígios de bugres em área desmatada com fortes vertentes e um lajeado. Os índios viviam de caça, pesca e coleta de pinhão, habitavam buracos, provavelmente para se proteger do frio.. O campo dos Bugres como foi chamado é hoje o centro de Caxias do Sul. Após a urbanização da cidade esse arroio foi canalizado.
Antonio Machado atingiu os campos de cima da Serra chegando as regiões que é hoje Vila Seca e Criúva, na época pertencentes a Santo Antônio da Patrulha. Conseguiram o queijo e entregaram a encomenda. Através de um índio velho souberam de relatos de uma batalha nessa região entre os índios daqui e os índios que vieram de Santa Catarina, esclarecendo sobre os dois montes encontrados no Campo dos Bugres, montes de corpos enterrados das vítimas da batalha.
Após a passagem de Antonio Machado os tropeiros começaram a utilizar essa nova rota. Foram 51 dias de viagem onde descobriram o Campo dos Bugres, esse caminho hoje é a Av. Rio Branco que leva a Ana Rech.


Saindo da sala de vídeo entramos na sala da mulher, com quarto montado, sala e cozinha. Aquecedor, Mena rosto.
No centro da mesa vimos como se faz o linho, a dressa com a palha, e cestos de vime. 

A exposição de brinquedos encantou as crianças, bonecas de todos os tipos, das mais rústicas as de porcelana.

Passamos para a sala de exposições provisórias: Exposição Palavra e Cenário São Marcos da Linha Feijó.
Fotos do Clube do Fotógrafo da região de São Marcos da Linha Feijó, mescladas com cartas do imigrante Paolo Rossato, através de relatos de seu modo de vida e de seus descendentes.



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Santa Lúcia do Piaí - RS

Santa Lúcia do Piaí - Distrito de Caxias do Sul - RS

O distrito de Santa Lúcia do Piaí está localizada a 26 km de Caxias do Sul.

No século XVII, os espanhóis entraram em contatos com os indígenas locais, mas foi com a imigração européia no século XIX que formou-se a   comunidade. O distrito pertencia aos municípios de São Sebastião do Caí e São Francisco de Paula e à paróquia Arquidiocese de Porto Alegre. Passou a fazer parte de Caxias do Sul a partir de dezembro de 1944.
 Vista frontal da Igreja



Imagem de Sta Lúcia na torre da igreja


EMEF Santa Lúcia - Escola Municipal
Portal de Bem Vindos
Vista da Praça com a fonte: tranquilidade de comunidade do interior

 árvores exóticas, diferente das caducas nativas, as folhas caem em janeiro


 Os  imigrantes italianos chegaram por volta de 1890, mas aqui já estavam instaladas  famílias de imigrantes alemães e poloneses. Comunidade tradicional, mas que recebe muitas pessoas de fora, empregados sazonais nas lavouras, vindos de diversas partes, principalmente de Santa Catarina, Paraná e interior do RS.


Casarios antigos no entorno da praça

Farmácia - prédio com diversos apartamentos

Casa antiga reformada
Antigo hotel Giordani, hoje moradia e lancheria
Casa Canônica
Pavilhão - local das festas comunitárias

Lancheria
Casa antiga, de 1932


Na economia o distrito  se destaca na produção de hortifrutigranjeiros, sendo a região de maior produção no estado do Rio Grande do Sul.

Fonte de Água Azul
– Local sagrado, onde fiéis vem pedir graças.
Essa fonte é Patrimônio Histórico do RS (Lei Estadual 12.356/2004), por ter sido a fonte do martírio do Padre Cristóvão de Mendoza. Composta de um monumento,  capela e uma fonte de água azulada,que segundo a crença ficou azulada depois dos índios terem jogado o padre morto. A fonte tem o formato do busto do padre,  na posição em que foi encontrado, depois de assassinado.

Cristóvão de Mendoza foi um padre jesuíta, fundador dos Sete Povos das Missões, (S. Miguel)no séc. XVII. Cristóvão de Mendoza foi o introdutor do gado no RS. Sua morte provocou a guerra entre as tribos Guaranis e Kaigangs  e a saída dos Espanhóis das terras gaúchas.

No site do historiador Luiz Antônio Alves podemos ver um vídeo sobre o local da morte de Cristóvão de Mendoza:
http://www.fuj.com.br/?a=postagem&p=elementos_culturais_tropeiros_em_caxias_do_sul_347
 


Geada do dia 17 de maio 2013, capela e cruz missioneira


  Monumento a Madre Bárbara Maix
O monumento faz menção ao milagre ocorrido em 1944: A cura de Onorino Ecker, que com 4 anos sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau,ao cair sobre um fogão improvisado no chã com grave risco de morte. O médico achou que ele não sobreviveria. A irmã Dulcídia Granzotto iniciou uma novena invocando a intercessão da Beata Bárbara Maix.

Dias depois, Onorino deixou o hospital curado. O suposto milagre convenceu o Vaticano a autorizar a beatificação da madre.


Duas pessoas conduzem o  menino Onorino envolto em lençol com queimadura  até o Hospital onde as Irmãs atuavam.


Assista "O menino" Curta Gaúcho sobre um milagre de Bárbara Maix:

 http://globotv.globo.com/rbs-rs/curtas-gauchos-especiais-de-sabado/v/reveja-o-curta-o-menino-sobre-um-milagre-de-barbara-maix/2581492/

Roma